A Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Vacaria (CIC) realizou nesta sexta-feira, 17/04, mais uma edição do “Almoçando com o Empresário”, reunindo lideranças, produtores e empresários da região para debater o cenário do agronegócio. O encontro teve como destaque a palestra de Paulo Herrmann, que abordou o tema “Agro: crise ou oportunidade?”.
Com uma trajetória de mais de 40 anos no setor, Herrmann apresentou uma análise direta sobre o momento vivido pelo agro brasileiro, marcado por boa produção, mas com preços baixos e margens reduzidas. Segundo ele, essa realidade não é nova, mas faz parte da própria dinâmica do setor. “O agro é um negócio cíclico, de baixa rentabilidade e dependente do clima. O problema é que muitas vezes o produtor não se prepara para esses ciclos”, afirmou. Para o palestrante, o principal caminho para enfrentar períodos de dificuldade está no planejamento e na gestão. Ele destacou que os anos de maior rentabilidade devem ser aproveitados para formar reservas e garantir segurança nos momentos de baixa. Sem essa organização, segundo ele, o produtor tende a enfrentar mais dificuldades e depender de soluções externas.
Herrmann também chamou atenção para a importância da diversificação das atividades no campo. De acordo com ele, concentrar a produção em uma única cultura aumenta os riscos, enquanto a diversificação permite equilibrar perdas e ganhos. “O segredo é não colocar todos os ovos na mesma cesta. Há atividades que estão em alta enquanto outras enfrentam dificuldades. É preciso entender isso e ajustar a produção”, destacou. Durante a palestra, o especialista também abordou alternativas e oportunidades dentro do próprio setor, citando exemplos como pecuária, fruticultura e até a apicultura, que podem complementar a renda do produtor, inclusive em propriedades menores.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de investir na qualidade do solo e na estrutura produtiva. Para Herrmann, antes de buscar soluções externas, o produtor deve olhar para dentro da propriedade e melhorar as condições de produção, reduzindo os impactos de períodos de estiagem, realidade frequente no Rio Grande do Sul. Ele também comentou o papel do poder público, defendendo que o governo atue de forma estratégica, oferecendo linhas de crédito e apoio em áreas como armazenagem e irrigação, sem interferir diretamente no funcionamento do mercado. Ao encerrar, Herrmann reforçou que o momento exige menos reação e mais estratégia. Para ele, a crise não deve ser vista apenas como um problema, mas como um cenário que exige adaptação e decisões mais qualificadas. “A crise sempre vai existir. A diferença está em quem está preparado para enfrentá-la”, concluiu.
Assessoria de Comunicação
