O economista-chefe da FIERGS, Giovani Baggio, foi o palestrante do evento Almoçando com o Empresário, promovido pela CIC Vacaria nesta quinta-feira, 26/03. Diante de empresários e lideranças locais, ele apresentou uma análise do cenário econômico para 2026, destacando um ambiente marcado por incertezas globais, desafios internos e a necessidade de planejamento estratégico. Ao abordar o cenário internacional, Baggio destacou o aumento recente da instabilidade global, impulsionado por tensões geopolíticas e conflitos no Oriente Médio. Um dos pontos de atenção, segundo ele, é o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo, o que pode impactar diretamente os preços de energia e insumos . Esse movimento já reflete no mercado, com elevação nos combustíveis: no Brasil, os preços registraram alta superior a 20% em algumas comparações mensais recentes, evidenciando os efeitos da conjuntura internacional .
No cenário nacional, o economista reforçou que o Brasil enfrenta um quadro desafiador, especialmente na área fiscal. Dados apresentados indicam que a dívida pública segue em trajetória de crescimento e pode atingir 100% do PIB até 2030, conforme estimativas da Instituição Fiscal Independente . Para Baggio, esse desequilíbrio é um dos principais fatores por trás dos juros elevados no país. “O juro alto não é a causa dos problemas, mas a consequência de um desajuste nas contas públicas”, explicou, ao
destacar que esse cenário impacta diretamente empresas e consumidores. Entre os reflexos já percebidos na economia, ele apontou o aumento do endividamento e da inadimplência, tanto de famílias quanto de empresas, em função da combinação entre juros elevados e desaceleração da demanda. Ainda assim, medidas de estímulo previstas pelo governo federal, que somam cerca de R$ 160 bilhões em políticas de renda, crédito e programas sociais, podem contribuir para sustentar a atividade econômica, com potencial de elevar o PIB em até 0,6 ponto percentual em 2026 .
Em relação ao desempenho econômico, a projeção apresentada indica crescimento de aproximadamente 2% para o Brasil em 2026, enquanto o Rio Grande do Sul pode ter desempenho superior, com estimativa de 4,6% de crescimento do PIB, impulsionado principalmente pelo agronegócio . No cenário regional, Baggio destacou que o Estado ainda enfrenta reflexos de eventos climáticos recentes, como estiagens e enchentes, além de dificuldades na indústria, que iniciou 2026 com retração de 0,6% nos indicadores de desempenho . Por outro lado, a agropecuária surge como principal motor de recuperação, com projeção de crescimento de 17,6% no ano .Outro dado que chamou atenção foi o impacto das tensões comerciais internacionais nas exportações gaúchas. As vendas da indústria de transformação para os Estados Unidos registraram queda de 36,5%, representando uma redução de US$ 396,9 milhões, reflexo direto das tarifas externas .
Apesar dos desafios, o economista também destacou fatores positivos para 2026, como a expectativa de uma safra forte, investimentos privados em setores estratégicos e a reconstrução do Estado, que devem movimentar a economia regional. Ao final, Baggio reforçou a necessidade de cautela por parte do empresariado. “Este é um ano de planejamento. O cenário ainda apresenta muitas incertezas, e cada decisão precisa ser bem avaliada”, orientou.
Assessoria de Comunicação
Fotos: Maria Eduarda Romanini
