Vinho e Saúde
Qualquer pessoa dotada medianamente de neurônios sabe que vinho não é remédio e também sabe que beber uma taça ao dia não basta para prevenir doenças, nem o suficiente para transformar pessoas em alcoólatras.
Quem bebe vinho todos os dias e submete seu organismo a uma dieta carregada de frituras e pratos gordurosos não gozará do comprovado benefício.
Por isso, chama a atenção um debate entre médicos italianos, colocando em dúvida a indicação do consumo moderado de álcool para prevenir doenças cardíacas.
Infelizmente, há mais confusão e falta de bom senso que dúvidas sobre os trabalhos que, em mais de três décadas, comprovaram uma verdade questionável: beber com moderação ajuda mais do que prejudica.
É importante lembrar e entender que essa recomendação não se aplica para todas as pessoas e deve ser feita pelo médico responsável que conhece bem o estado de saúde e hábitos de seu paciente. Erram ao generalizar os que defendem o consumo, e erram ao generalizar os que são contra.
A declaração de Curtis Ellison, médico da Universidade de Boston e um dos coordenadores do Fórum Internacional Científico sobre Pesquisa em Álcool, parece dar luz a um tema tão polêmico: É possível dizer que uma dose por dia, ou até menos, protege contra doenças cardiovasculares. O ideal é o consumo regular, e não só em fins de semana, de pequenas quantidades de álcool. Os Franceses têm taxas muito baixas de doença coronária não porque eles bebem muito, mas porque eles bebem todos os dias.
Pessoalmente, acredito que o benefício não provém somente de beber uma taça de vinho durante as refeições, mas sim do hábito saudável e prazeroso de saborear comidas e bebidas diariamente. Quem saboreia não se excede, quem degusta não extrapola, porque o prazer está situado no ponto exato da moderação, distante dos limites. A isso se refere Curtis Ellison quando diz que o ideal é o consumo regular, pouca quantidade e todos os dias. No Brasil, onde o consumo de vinho como hábito gastronômico é encontrado somente na região da Serra, é delicado aplicar essa recomendação. O consumo é esporádico, nas saídas a restaurantes ou nos fins de semana. É importante lembrar que o hábito é geralmente herdado de avôs e pais, no âmbito familiar. Os Franceses bebem vinho todos os dias acompanhando suas refeições, porque foram educados assim. Criaram o hábito de se alimentar com a famosa e defendida dieta mediterrânea, em que peixes, azeite de oliva e verduras predominam e em que o vinho é a bebida adequada. Como imaginar um destilado, a cerveja ou um refrigerante formando parte dessa dieta? Como o vinho é considerado um alimento, a moderação resulta naturalmente.
O consumo de vinho faz bem à saúde? Sim, desde que consumido com moderação (máximo duas taças diárias), diariamente e acompanhado de pratos saudáveis. O consumo de vinho faz mal? Sim, quando consumido exageradamente com ou sem alimentos. Ou seja, assim como o sal, o açúcar, a massa, os ovos e outros alimentos, o consumo de vinho poderá fazer bem ou mal conforme o uso, moderado ou exagerado
Data: 07/02/2011

